Comunicação é interação, diálogo

Assim definia Paulo Freire o ato mais primário do homem, presente desde os primeiros segundos de nossa vida.

terça-feira, 2 de março de 2010

SPM lança prêmio relacionado à Lei Maria da Penha


A Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM), da Presidência da República, lançou o “Prêmio Boas Práticas na Aplicação, Divulgação ou Implementação da Lei Maria da Penha”. O prêmio será concedido às pessoas físicas ou jurídicas indicadas por terceiros, cujos trabalhos ou ações merecem especial destaque no enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher.
As indicações para o Prêmio estão abertas e podem ser feitas por meio do endereço eletrônicopremioboaspraticasl mp@spmulheres. gov.br, até o próximo dia 8. Os vencedores serão conhecidos em agosto, durante o 4º aniversário da Lei Maria da Penha. Aos escolhidos serão concedidos diploma e trabalho artístico e os demais estarão em publicação com iniciativas selecionadas para dar-lhes visibilidade em toda a sociedade.
Qualquer um pode participar. Basta apontar alguma forma de aplicação da lei que é de seu conhecimento, nos âmbitos dos sistemas de justiça e de segurança pública, nos executivos estadual ou municipal, na sociedade civil e nas instituições acadêmicas. As categorias para premiação são: Implantação de programas e políticas; Criação e implementação de serviços; Idealização ou realização de campanhas; Realização de estudos e pesquisas; e Realização de matérias jornalísticas.
Mais informações Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres Presidência da República (61) 3411.4297/4211
ASCOM UFPE

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Luta contra o estigma

Retirado de: REVISTA EDUCAÇÃO - EDIÇÃO 154
http://revistaeducacao.uol.com.br/textos.asp?codigo=12846

Alunos provenientes de famílias de baixa renda têm de superar uma difícil barreira social: aquela que os coloca como destinados ao fracasso escolar
Por Rachel Cardoso

Jéssica Unias de Lima, de 16 anos, sempre penou para tirar boas notas em matemática, disciplina em que tinha mais dificuldade de aprender novos conteúdos. A deficiência foi superada com as aulas de reforço ministradas nos finais de semana na escola pública em que estuda. A estudante também criou o hábito de buscar ajuda fora da sala de aula, entre professores, amigos mais instruídos e até mesmo vizinhos. Atitudes simples, mas que exigiram de Jéssica uma mobilização maior do que a convencional - ela cuidava de dois irmãos menores para que a mãe pudesse trabalhar. A faxineira Marinês Unias de Lima, de 35 anos, é arrimo de família e hoje se orgulha de ver a filha recém-colocada num estágio da Suzano Papel e Celulose. Para ingressar na empresa, Jéssica passou por um processo seletivo que exigiu conhecimentos em exatas. "Eu levava os meninos para a biblioteca comigo e explicava a eles a importância de aprender", conta Marinês. "Embora não estivesse presente no dia a dia, minha mãe sempre me incentivou ao proporcionar as condições para ter acesso ao material necessário e realizar os trabalhos escolares", relata a filha.

Casos como o de Jéssica - que venceu as sequelas da baixa escolaridade da família e quebrou o ciclo de miséria provocado pela falta de acesso à formação e à informação - contrariam a tendência majoritária de ambientes marcados pelas carências culturais, alimentares e linguísticas estarem intimamente ligados ao fracasso escolar. "Trata-se de uma explicação cômoda e preconceituosa", diz a pedagoga Silvia Colello, professora de psicologia da educação da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. "É como se chegasse um paciente portador de HIV a um pronto-socorro e o médico deixasse de atendê-lo devido às suas condições", compara.

Mas estatísticas de diferentes instituições como Fundação Getulio Vargas, Ibmec Rio de Janeiro e Universidade de São Paulo apontam para uma tendência cruel: filhos de pais analfabetos têm apenas 1% de chance de se graduar. Entre os filhos de pais com ensino superior completo, 60% concluem a universidade. No outro extremo, 34% dos filhos de analfabetos não chegam a aprender a ler e a escrever. "É preciso criatividade para superar essa desigualdade", avalia Silvia. "Quem nasce em ambiente letrado está condenado a aprender e com maior facilidade por conta das experiên cias vividas, que são pedagógicas."

Para a professora, a educação é um processo que exige um conjunto diversificado de saberes e é papel da escola oferecê-lo a quem não tem oportunidade dentro de casa. Nesse sentido, aponta como estratégias decisivas a aproximação entre corpo docente das escolas e representantes das famílias, a formação continuada dos professores e a promoção de atitudes que sensibilizem os alunos para o conhecimento. "Com o ensino sucateado e os professores despreparados, muitos encontram em canais alternativos a diversidade necessária para crescer", diz.

É a impossibilidade de encontrar em casa e na escola referências de pessoas com um bom acúmulo de capital cultural que induz à busca em outras instâncias, como ONGs, agremiações e até igrejas. É o caso do administrador de empresas Thiago da Conceição de Paula, de 24 anos, que buscou o trabalho voluntário da comunidade. "Quando concluí o ensino médio, não tinha condições financeiras e nem aprendizado suficiente para ingressar numa universidade e isso me frustrou muito", conta. Sem enxergar muitas saídas, desistiu da graduação naquela ocasião. Quando ingressou, como multiplicador, no projeto Educomunicação, sentiu que alguma mudança aconteceria. Iniciativa da Universidade de São Paulo (USP), o objetivo principal do Educomunicação é o crescimento da auto estima e da capacidade de expressão das pessoas. "Percebi que cabia a mim mudar a história da minha família e fui atrás de bolsas de estudo", recorda-se.

Reação em cadeia
O passo dado por Thiago afetou a esposa, Maristela Mendes de Paula, 21 anos, hoje aluna do 4º ano de administração da Universidade Zumbi dos Palmares. Na época em que prestaria vestibular, Maristela não tinha tempo para estudar, já que trabalhava. Perdeu as contas de quantas vezes trocou o almoço por um sanduíche deglutido sobre os livros. O empenho da filha levou Maria Eunice Mendes Bertalha a despertar. "Passei do sermão à prática", diz a dona de casa, que retomou os estudos para concluir o ensino médio e, aos 44 anos, se formou em matemática. "Tive mais condições de orientá-la porque me abri para um novo mundo", conta. Hoje, ela leciona para um grupo do supletivo. Agora, quando está em sala de aula, prega que a persistência é fundamental. "O conhecimento é a única coisa definitiva na vida", destaca a professora, que persegue o sonho de cursar a segunda faculdade, a de licenciatura em física.

Mudança gradual
É visível que nas duas últimas décadas a população de baixa renda avançou em indicadores como poder de consumo e acesso à educação. Em números absolutos, a classe C já representa o maior número de alunos em colégios privados, segundo o Data Popular, especializado nos públicos C, D e E. "O percentual de filhos que estuda mais que os pais chega a 68% nessa faixa, para a qual a internet, a televisão e enciclopédia em fascículos são os principais condutores de informações", diz o sócio-diretor da consultoria, Renato Meirelles. "Colocar as crianças na escola passou a ser melhor negócio para essas famílias, que entenderam a educação como agente para sua ascensão."

Em sua dissertação de mestrado, escrita no Departamento de Educação da PUC de Minas Gerais, Adriana Alves Pereira foi além. O trabalho, orientado pela professora Leila de Alvarenga Mafra, membro do Grupo de Estudos e Pesquisa sobre a Profissão Docente, revela que muito desse sucesso pode ser explicado com a mobilização dos alunos em relação ao que a escola mostra ser possível alcançar. Com uma meta educacional como passar de ano, no vestibular ou estudar em determinada escola, fica mais fácil enfrentar os problemas e buscar alternativas. "Pouco adiantam as estratégias educativas que a família cria para favorecer a escolarização de uma criança se ela própria não se envolver, não se motivar na condução desse processo", avalia Leila.

Questão multifatorial
O estudo, cujo nome é "Sucesso escolar de alunos dos meios populares: mobilização pessoal e estratégias familiares", disseca o cotidiano de seis diferentes alunos de famílias de baixa renda que ingressaram no concorrido Colégio Técnico da Universidade Federal de Minas Gerais. Na conclusão do texto, destaca-se a diversidade de fatores que atuam ou contribuem para aumentar ou dificultar as chances de sucesso escolar. Processo esse entendido como sair-se bem na escola, ou participar, com sucesso, do jogo escolar, algo que envolve várias dimensões: intelectual, cultural, social, moral e relacional. "As pesquisas mostram semelhanças nos processos de superação das dificuldades escolares dos alunos dos meios populares, mas também, que são criadas estratégias singulares, individuais, pessoais."

As fontes de apoio são amplas e variadas. Quanto maior o capital cultural incorporado antes do ingresso à escola fundamental e ao longo da escolarização, maiores as chances de se obter êxito. "Não existe uma fórmula mágica e nem uma relação direta entre esses fatos, mas uma tendência estatisticamente avaliada em vários países, inclusive no Brasil", observa Leila.

Tanto Leila quanto Silvia acreditam que há um processo educativo que ocorre pela simples participação ou acesso aos mais diferentes meios, como viagens, práticas culturais, leituras de revista, jornais, livros diversos, acesso a bibliotecas, ao computador, a teatro, cinema, e diferentes formas de lazer, grupos de estudo fora da escola e apoio de colegas e amigos, entre outros. Por isso, é importante conhecer o histórico de vida das crianças: não se pode esperar uma sensibilidade homogênea para o aprendizado.

Há ainda outro obstáculo a ser superado: o analfabetismo de resistência, problema pouco debatido que não escolhe classe social. Trata-se de um bloqueio bem exemplificado pelo caso de um aluno que se fechou ao aprendizado por causa da postura do pai, um alto executivo que ligava diariamente do exterior com a seguinte mensagem: "Aprenda logo a ler e a escrever para a gente se comunicar por e-mail". Esse aprender significava para o garoto deixar de falar pessoalmente com o pai para se comunicar usando o computador. Reverter algo assim requer sensibilidade do educador.

A escola faz a diferença

O Brasil ainda tem 14,2 milhões de analfabetos com 15 anos ou mais, segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE. Destes, 95% têm 25 anos ou mais. Ou seja, 13,5 milhões de brasileiros não sabem ler ou escrever um simples bilhete.

A coisa fica mais crítica pelos números do Indicador de Analfabetismo Funcional (Inaf). Realizado desde 2001, o Inaf contempla quatro níveis de alfabetismo: analfabetos absolutos, alfabetismo rudimentar, alfabetismo básico e alfabetismo pleno, sendo considerados analfabetos funcionais as pessoas que se encontram nos dois primeiros níveis. Em sua última edição, em 2007, o indicador revelava que, entre a população brasileira de 15 a 64 anos, mais de 30% eram analfabetos funcionais. Desde o início deste século, o nível de alfabetização competente não sobe.

Para a professora Inês Kisil Miskalo, coordenadora do Programa de Educação Formal do Instituto Ayrton Senna, enfrentar o analfabetismo não é estritamente uma questão de políticas educacionais, mas de políticas multissetoriais. "Também é preciso resgatar os papéis", diz. "A relação da criança com o estudo vem do valor que a família dá à educação, mas a escola precisa promover o envolvimento dos pais no processo e fortalecer a posição da família", explica.

Portanto, a educação precisa ser entendida como um processo de condução. A escola precisa se abrir para a comunidade, e, a partir do que o aluno já conhece, ampará-lo no caminho para que ele chegue ao ponto em que precisa chegar.

A análise está em linha com o pensamento do professor Célio Cunha, consultor em Educação da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). "A escola é, sim, a responsável pelo encaminhamento do aluno quando as famílias não têm como orientá-los", diz. "Os pais lutaram para colocar seus filhos na escola, uma instituição na qual acreditam, e agora é preciso um retorno da infraestrutura docente, uma estratégia que demanda uma reformulação das políticas de financiamento e de gestão."

Muitas vezes, alerta Cunha, esse professor que atribui toda a responsabilidade do desempenho do aluno à sua família saiu de um meio igualmente precário: são filhos dos pais de baixa renda e perpetuam todos os estigmas. "É preciso valorizar mais a formação do que o diploma."

Em meados de 1880, Rui Barbosa defendia essas mesmas ideias. Acreditava que o método de valorização do indivíduo em seu processo de aprendizagem, assim como a formação reflexiva do aluno e não somente o desenvolvimento de sua habilidade de memória, democratizaria a educação. A instrução das classes populares garantiria o desenvolvimento social e alçaria o Brasil ao grupo dos países desenvolvidos na época. O país ainda não chegou lá. Mas é inegável que nunca procurou tanto os meios para isso como agora.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Jogos de computador podem ensinar lições às escolas



Muitos pais acreditam que videogames atrapalham seus filhos no cumprimento das tarefas escolares em casa. Alguns especialistas, porém, afirmam que certos jogos de computador representam ótimos ambientes de aprendizagem, e que, se escolas adotassem algumas das estratégias dos games, poderiam educar as crianças de forma mais eficaz.

"Videogames comerciais, desses que fazem um monte de dinheiro, nada mais são do que espaços para resolução de problemas", diz James Paul Gee, catedrático em estudos literários da faculdade de educação da Universidade do Arizona, nos EUA. Ele foi um dos primeiros estudiosos a analisar o potencial educativo dos jogos de vídeo.

Gee diz que videogames otimizam o aprendizado de várias maneiras. Em primeiro lugar, eles fornecem informações à medida do necessário, em vez de uma só vez no início. No sistema educacional convencional, quando vai ensinar uma matéria, o professor em geral despeja uma grande quantidade de informações e só depois ele permite ao aluno experimentar ele mesmo com as noções básicas do tema.

Já os jogos ensinam de outra maneira. Eles levam o usuário a desempenhar várias tarefas e superar um número de desafios e adversidades, e, na medida do necessário e ao longo da seqüência, vão fornecendo as informações ao jogador aos poucos. Jogos também provêm um ambiente que Gee chama de “agradavelmente frustrante”. Eles são um desafio, mas que pode ser vencido, constituindo um estado muito motivador para os seres humanos, uma situação às vezes denominada “estado de fluir”.

Além disso, muitos desenvolvedores de jogos encorajam os jogadores a modificar os seus produtos através da prática chamada “modding”. Os desenvolvedores compartilham o software e incentivam os jogadores a criar novos níveis ou cenários. Assim, se um aluno tiver que desenvolver um jogo, ou parte de um jogo, ele terá uma compreensão completa desse jogo por intermédio de seu sistema de regras. E se esse aluno tiver que modificar um jogo já operacional, também precisará ter um conhecimento bem profundo das regras.

Gee recorda que avaliação é um tema controverso na educação hoje. Em geral, o processo de avaliação se dá por meio de testes padronizados. Entretanto, nos jogos, aprendizagem e avaliação são bem casados. O jogo dá retorno constante de informações e recolhe dados sobre o desempenho dos jogadores.

Por exemplo, o jogo online multiplayer World of Warcraft, com 15 milhões de jogadores ao redor do mundo, é completamente padronizado. A empresa que o criou recolheu quantidades incríveis de informação sobre os jogadores e trata essa massa de dados de maneira puramente estatística. Gee acrescenta que a integrar avaliação e aprendizagem é menos caro do que apoiar uma indústria de provas escolares em separado.

Essa ideia de que educadores podem aprender com a indústria de jogos está se popularizando cada vez mais. Por exemplo, em novembro de 2009, o presidente americano, Barack Obama, anunciou uma campanha para melhorar ciência, tecnologia, engenharia e educação matemática nos EUA. Como parte da campanha, a Fundação MacArthur e várias empresas de tecnologia lançaram uma competição para desenvolver jogos para o ensino de ciências e matemática.

Mas os professores não precisam usar os jogos de computador propriamente ditos para aproveitar seus conceitos. Eles podem incorporar os princípios educacionais dos videogames criando situações que Gee chama de “ambientes de aprendizagem situada”, bolhas de absorção de informações inseridas em um espaço de resolução de problemas.

Em 2004, Gee escreveu um dos primeiros livros sobre como os jogos usam bons princípios de aprendizagem: What Video Games Have to Teach Us about Learning and Literacy (O que os videogames têm a nos ensinar sobre aprendizado e alfabetização). E agora, em maio de 2010, ele lançará uma nova obra: Women as Gamers: The Sims and 21st Century Learning (Mulheres como jogadoras: The Sims e o aprendizado no século 21).

Da Agência O Globo


quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Tese analisa do discurso jornalístico sobre crime violento

A doutoranda em Sociologia pela UFPE Patrícia Bandeira de Mello defende, na próxima quinta-feira (25), a tese “Histórias que a mídia conta: o discurso sobre o crime violento e o trauma cultural do medo”, realizada sob orientação do professor José Luiz de Amorim Ratton Jr. A apresentação ocorrerá às 14h, na sala de seminários da Pós-Graduação em Sociologia, no Centro de Filosofia e Ciências Humanas da UFPE (CFCH).
Resumo
O objetivo de pesquisa é estudar o discurso jornalístico acerca do crime violento como o instituto do mal que pode produzir o trauma cultural do medo compartilhado. A intenção não é abordar o crime violento como coisa-em-si, mas a representação que a imprensa faz dele em suas narrativas e as buscas por soluções que promovam a sua superação. São os sentidos circulantes, as cadeias de significação construídas na imprensa sobre as categorias crime violento, vítimas, perpetradores do mal e medo coletivo que são analisadas nas narrativas jornalísticas.
Para isso, recorre-se à análise do discurso em textos selecionados no site do Jornal do Commercio e nos blogs dos jornalistas Ricardo Noblat e Jorge Antônio Barros, hospedados no site do jornal O Globo. O corpus em O Globo foi definido entre 8 de fevereiro de 2007 a 8 de fevereiro de 2008. A data inicial foi o dia em que foi publicada a primeira notícia sobre o crime contra o menino João Hélio, no Rio de Janeiro, até um ano após o fato. No JC, o corpus inclui o mesmo período, com episódios de ação humana violenta que tenham resultado em morte.
O estudo teve como esteio teórico a sociologia cultural e a teoria do agenda-setting.
A sociologia cultural oferece conceitos sobre cultura e o seu papel na definição das ações e formas de ver o mundo pelos indivíduos. Já a teoria do agendamento permite identificar os assuntos que ingressam na pauta da imprensa, definindo que problemas sociais devem ser alçados à condição de problema público.
Dentro da perspectiva teórica da sociologia cultural, conclui-se que o discurso jornalístico tem sido fundamental para construir e sustentar o trauma cultural do medo nos indivíduos, que passam a compartilhar os dramas das vítimas e de seus familiares de forma mediada pelos meios de comunicação.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

A Consciência Branca da Globo

Rebeca Oliveira Duarte, advogada e cientista política do Observatório Negro, publicou um texto na lista do MNDH - Movimento Nacional dos Direitos Humanos sobre o racismo na TV Globo bem interessante. Vale a pena ler para reflexão. Para discordar ou concordar. Segue o material na íntegra:
" Não havia data melhor. Em plena semana da Consciência Negra, a teledramaturgia global reafirma, mais uma vez, a pura reprodução de imagens, palavras e ideais racistas em horário nobre.
Ao elencar a atriz negra Thaís Araújo para protagonista de sua novela das nove, a TV Globo, através de seu funcionário Manoel Carlos, parecia querer responder ao Estatuto da Igualdade Racial idealizado pelo movimento negro que não seria necessário estabelecer cotas para atrizes e atores negros; bem, parece não ter sido à toa que justamente no momento de uma decisão histórica quanto ao conteúdo do referido Estatuto, a Globo tenha lançado ao ar duas novelas com protagonistas negras, atrizes que inclusive têm uma postura racial condizente às suas trajetórias, como são Thaís Araújo e Camila Pitanga. Nas entrelinhas, previa-se uma forjada justificativa à sociedade das "desnecessárias" cotas raciais para os meios de comunicação, já que este espaço vem sendo ocupado pelo núcleo negro da Globo. Convenhamos, uma jogada de mestre; assim, evita-se o "mal maior" para a Consciência Branca do comando global, que é obedecer a lei e fazer cumprir os direitos da pessoa, da população e dos povos negros.
Pois então que nesta semana, no capítulo que foi ao ar na noite do 17 de novembro, com precisão cirúrgica o autor desenhou a cena mais representativa possível da ópera racista contra o verdadeiro protagonismo negro. A suposta protagonista da novela, a personagem de Helena, após ser retirada de seu núcleo familiar negro para transitar exclusivamente num núcleo branco e assim ser sujeita a traições e humilhações, é posta de joelhos diante de uma de suas antagonistas brancas - já que, para uma negra, não basta uma só antagonista, devendo vir elas em número de três: a amante do marido, a filha mimada e infantilizada do marido e a ex-mulher do marido. Não apenas de joelhos, deve pedir perdão de cabeça baixa; não apenas de cabeça baixa, sob o olhar duro e inflexível de sua então dominadora; não apenas isso, como se já não fosse o bastante, deve pedir perdão e ter por resposta uma bofetada no rosto. Para finalizar a cena, a personagem desabafa com uma das melhores amigas que "devia ser assim".
A idéia de protagonista negra, na Globo, enfim foi definida claramente. Uma heroína que, se inicialmente surgia diante de um drama familiar, afirmando um núcleo negro protagonista, como âncora, marco e raiz, veio sendo reduzida dramaturgicamente a pobre vítima de suas três antagonistas brancas, tendo estas enfim recebido mais espaço de visibilidade que a suposta protagonista. O papel, de central, tornou-se periférico, apoio para a virada de jogo das outras atrizes, que passam a receber os aplausos da população e das "críticas" noveleiras de plantão, prontas para limar a atriz negra por seu papel "sem graça".
Ou talvez, pensa o autor que pode salvar o papel de Helena pondo-a no lugar em que acha pertencer à mulher negra. Agora sim, a Globo assinou embaixo de suas verdadeiras posturas ideológicas - mais diretamente, de seu racismo."

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

1a Conferência Estadual de Comunicação – CONFECOM-PE

O SECRETÁRIO ESPECIAL DE IMPRENSA, no uso de suas atribuições legais e considerando o disposto no Decreto nº 33.913, de 15 de setembro de 2009, publicado em 16 de setembro de 2009, que convoca a 1a Conferência Estadual de Comunicação – CONFECOM-PE, a se realizar nos dias 06, 07 e 08 de novembro, em Recife,
RESOLVE:
Art. 1o Aprovar o Regimento Interno da 1a Conferência Estadual de Comunicação, na forma do anexo desta Portaria.
Art. 2o Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação.
EVALDO COSTA
Secretário Especial de Imprensa
REGIMENTO INTERNO
1a CONFERÊNCIA ESTADUAL DE COMUNICAÇÃO - CONFECOM-PE
CAPÍTULO I
DOS OBJETIVOS
Art. 1o O tema da 1a Conferência Estadual de Comunicação - CONFECOM-PE, convocada pelo Decreto nº 33.913, de 15 de setembro de 2009, é "Comunicação: meios para construção de direitos e de cidadania na era digital".
Parágrafo único. Os trabalhos da CONFECOM serão desenvolvidos a partir do tema referido no "caput".
Art. 2o A Conferência Estadual de Comunicação é um instrumento de contribuição que tem como objetivo geral a formulação de propostas orientadoras de uma Política Nacional de Comunicação e visa promover o debate amplo, democrático e plural com a sociedade brasileira, garantindo-se a participação social em todas as suas etapas, nos termos desse Regimento.
Art. 3o São objetivos específicos da 1a CONFECOM-PE:
I – elaborar o relatório final que proponha princípios, diretrizes e recomendações para a formulação e implementação de políticas públicas de comunicação;
II – propor mecanismos para efetivar a participação social no âmbito da comunicação em nível nacional;
III - eleger delegados que representem o Estado de Pernambuco na 1ª Conferência Nacional de Comunicação.
CAPÍTULO II
DOS EIXOS TEMÁTICOS
Art. 4o Os eixos temáticos devem orientar os debates realizados durante a 1a CONFECOM-PE.
Art. 5o Deverá ser elaborado um documento de referência com as informações básicas sobre os eixos temáticos, calendário e a metodologia da 1a CONFECOM e da etapa estadual.
CAPÍTULO III
DA REALIZAÇÃO
Art. 6o A 1a CONFECOM-PE subdivide-se nas seguintes etapas:
I – preparatórias
II – conferências regionais; e
II - estadual
Art. 7º A 1a CONFECOM-PE será realizada entre os dias 06 e 08 de novembro de 2009, na Cidade de Recife.
Parágrafo único. As etapas preparatórias e as conferências regionais poderão ser realizadas até vinte dias antes da etapa estadual, devendo o relatório correspondente ser enviado em até cinco dias após a sua realização.
CAPÍTULO IV
DA ORGANIZAÇÃO
Art. 8o. A 1a CONFECOM-PE será presidida pelo Secretário de Especial de Imprensa do Estado de Pernambuco ou por quem este indicar.
Seção I
Da Comissão Organizadora Estadual
Art. 9º. A Comissão Organizadora Estadual é a instância de deliberação, organização e implementação da Conferência Estadual de Comunicação, observado o seguinte:
I - As deliberações no âmbito da Comissão Organizadora Estadual serão por voto dos seus titulares, considerada a maioria dos presentes e observados os critérios de deliberação estabelecidos pelo regimento interno da Conferência Nacional.
II - Será adotada a modalidade de deliberação qualificada, sempre que metade de um dos segmentos poder público, sociedade civil ou sociedade civil empresarial indicar alguma questão sensível em votação.
III – As deliberações das questões sensíveis serão por voto dos titulares, considerada uma proporção de sessenta por cento dos presentes para aprovação, devendo, pelo menos um voto de cada segmento, compor o total apurado.
Art. 10. A Comissão será composta por 20 (vinte) membros, sendo 30% (06 membros) representando a sociedade civil, 30% (06 membros) representando a sociedade civil empresarial, 20%(04 membros) representando o poder público e 20% (04 membros) representando os trabalhadores do setor de comunicação.
Parágrafo único. O presidente da Conferência dará o voto de minerva sempre que houver empate nas votações
Art. 11. A indicação dos integrantes da Comissão Organizadora do CONFECOM-PE será feita em audiência (s) convocada (s) e coordenada (s) pela Secretaria Especial de Imprensa do Estado de Pernambuco.
§1º A convocação de que trata o "caput" ocorrerá através de publicação no Diário Oficial e, ao menos, em um jornal de grande circulação no Estado de Pernambuco.
§2º Para cada membro indicado haverá a indicação do respectivo suplente.
Art. 12. As indicações de que trata o art. 11 serão encaminhadas ao Secretário Especial de Imprensa do Estado de Pernambuco, que designará os membros da Comissão por meio de Atos administrativos específicos.
Art. 13. A Comissão Organizadora será presidida pelo representante da Secretaria Especial de Imprensa do Estado de Pernambuco.
Art. 14. A participação na Comissão Organizadora Estadual não ensejará remuneração de qualquer espécie e será considerada serviço público relevante.
Art. 15. Compete à Comissão Organizadora:
I – atuar na formulação, discussão, coordenação, supervisão e proposição de iniciativas referentes à organização da CONFECOM-PE, atendendo aos aspectos técnicos, políticos e administrativos;
II – realizar o julgamento de recursos;
III – elaborar e aprovar o documento de referência da CONFECOM-PE;
IV – designar os integrantes das subcomissões, podendo ampliar a composição destas sempre que houver necessidade;
V – coordenar, orientar e acompanhar as atividades das subcomissões;
V – providenciar o envio do relatório estadual da 1ª CONFECOM-PE à Comissão Organizadora Nacional da 1a Conferência Nacional de Comunicação;
VI – deliberar sobre todas as questões referentes à 1ª CONFECOM-PE que não estejam previstas neste Regimento.
VII – Promover a divulgação dos eixos temáticos;
VIII – definir a metodologia e os procedimentos a serem empregados nas etapas preparatórias e na Conferência Estadual;
XIX - acompanhar o processo de sistematização das proposições da 1ª CONFECOM-PE;
X - deliberar sobre os critérios de participação e representação dos interessados, de expositores e debatedores dos painéis, bem como dos convidados;
XI - elaborar diretrizes para o funcionamento das etapas preparatórias e da Conferência Estadual, com os procedimentos para a sua convocação e realização, critérios de participação na Conferência Estadual e requisitos básicos para a participação social;
XII - orientar e acompanhar a realização e os resultados das etapas preparatórias e da Conferência Estadual;
XIII - mobilizar a sociedade civil, o poder público e as empresas e trabalhadores do setor de comunicação, no âmbito de sua atuação nos municípios e regiões administrativas, para organizarem e participarem das etapas preparatórias e da Conferência Estadual;
XIV - contribuir nas ações de divulgação da CONFECOM-PE, assim como de suas etapas preparatórias, incluindo aí a ampla divulgação do processo nos veículos de comunicação das entidades da sociedade civil, representantes das empresas e trabalhadores do setor de comunicação e órgãos do poder público;
XV - promover a articulação com entidades civis e órgãos públicos a fim de garantir a realização da Conferência Estadual;
XVI - promover a integração da Secretaria Especial de Imprensa – SEI e outros setores governamentais, como cultura, saúde, educação, direitos humanos, entre outros, que tenham interface com o evento, para resolver eventuais pendências e tratar de assuntos referentes à 1ª CONFECOM-PE;
XVII - zelar pela efetiva realização do evento, possibilitando a infra-estrutura adequada, por meio de parcerias, convênios e contratos, garantindo o atendimento especializado às pessoas com deficiência e a integridade de todos os participantes; e
XVIII - aprovar o Relatório Final da 1ª CONFECOM-PE, providenciando seu envio à Comissão Organizadora Nacional.
Art. 16. A Comissão Organizadora será presidida pelo representante da Secretaria Especial de Imprensa do Estado de Pernambuco.
Parágrafo único. A ausência injustificada de representante de uma entidade em duas reuniões da Comissão Organizadora ensejará seu desligamento da Comissão.
Art. 17. Poderão ser convidadas especialistas e/ou entidades para reuniões específicas da Comissão Organizadora.
Art. 18. A Comissão Organizadora, nos seus encaminhamentos, contará com três subcomissões, que prestarão apoio técnico e operacional necessário à execução de suas atividades, a saber:
I – subcomissão de infra-estrutura e logística: responsável por garantir a presença dos participantes, de forma segura na CONFECOM-PE, respeitando os critérios de acessibilidade aos documentos e trabalhos da Conferência, a locomoção das pessoas com deficiência, bem como a alimentação, a organização do fluxo de entrada dos participantes na Conferência, a programação cultural e o controle de freqüência dos participantes;
II – subcomissão de metodologia e sistematização: responsável pela elaboração de propostas de metodologia da Conferência Estadual, incluindo sua dinâmica, sistematização das propostas e a elaboração do relatório final da Conferência;
III – subcomissão de divulgação: responsável pela recepção, provimento e difusão de informações sobre a Conferência Estadual e suas etapas preparatórias.
§1° - As propostas de deliberação e providências concebidas pelas subcomissões serão implementadas após aprovadas pela Comissão Organizadora da CONFECOM-PE.
Seção II
Da Secretaria Executiva
Art. 19. A Comissão Organizadora contará com uma Secretaria Executiva indicada pelo Secretário de Especial de Imprensa do Estado de Pernambuco, e terá por objetivo prestar assistência técnica e apoio operacional à execução das atividades.
Art. 20. Compete especificamente à Secretaria Executiva:
I – organizar a pauta de reuniões da Comissão Organizadora;
II – implementar as deliberações da Comissão Organizadora, inclusive organizando a etapa estadual da Conferência;
III – acompanhar as etapas prévias, auxiliando nos seus aspectos preparatórios, em consonância com a Comissão Organizadora;
IV – dar suporte na sistematização dos relatórios provenientes das etapas preparatórias;
V – auxiliar na elaboração do documento de referência, relatório final e dos anais da Conferência;
VI – outras atribuições que lhe forem conferidas pelo Secretário Especial de Imprensa do Estado de Pernambuco.
Seção III
Da Organização das Etapas Preparatórias
Art. 21. São etapas da 1a Conferência Estadual de Comunicação:
I – Conferências preparatórias; e
II – Conferências Regionais.
Parágrafo primeiro – Nas conferências regionais serão eleitos os delegados para conferência estadual.
Parágrafo segundo - As conferências preparatórias não elegem delegados e têm caráter mobilizador para a etapa Estadual.
Art. 22. Nas etapas da 1ª Conferência Estadual de Comunicação deverão ser debatidos o tema e os eixos temáticos da 1ª Conferência Nacional de Comunicação, aprovado pela Comissão Organizadora Nacional.
Art. 23. A validade das Conferências Regionais está condicionada aos seguintes requisitos:
I – discussão dos eixos temáticos da Conferência;
II – elaboração de relatório nos termos do disposto neste Regimento;
III – observância do Regimento Interno da 1a CONFECOM-PE
Art. 24. Os relatórios aprovados nas conferências regionais deverão ser encaminhados à Comissão Organizadora Estadual dez (10) dias antes da realização da Conferência Estadual.
Parágrafo único. As propostas aprovadas nas conferências regionais serão compiladas pela Comissão Organizadora Estadual e servirão de subsídio para as discussões na etapa estadual.
Subseção I
Das Conferências Preparatórias
Art. 25. As conferências Preparatórias serão organizadas e coordenadas pela Secretaria Especial de Imprensa do Estado de Pernambuco com o objetivo de divulgar a realização da 1ª Conferência Nacional de Comunicação e os seus eixos temáticos que vão nortear seus debates.
§ 1º - As conferências preparatórias têm caráter de mobilização e sensibilização para a 1ª Conferência Nacional de Comunicação.
§ 2º - Todos os cidadãos poderão participar das conferências preparatórias.
§ 3º - As conferências preparatórias devem ser amplamente divulgadas através dos veículos de comunicação das regiões e outros instrumentos de comunicação de massa.
§ 4º - Serão realizadas quatro conferências preparatórias nos Municípios de Petrolina, concentrando as Cidades do Sertão; Caruaru, concentrando as Cidades do Agreste; Vitória, concentrando as Cidades da Zona da Mata; Regiões do interior do Estado de Pernambuco e Recife, concentrando as Cidades da Região Metropolitana.
Subseção II
Das Conferências Regionais
Art. 26. As Conferências Regionais poderão ser organizadas e coordenadas por uma comissão local, observado o critério de composição e deliberação estabelecido na Comissão Organizadora.
§ 1º Serão realizadas doze (12) conferências regionais, cada uma em uma cidade de cada micro região, nos termos do anexo I.
§ 2o - A convocação deverá ser realizada pelo Poder Executivo dos municípios de cada uma das doze (12) micro-regiões do estado de Pernambuco, mediante subscrição de Ato Convocatório conjunto, publicado em meio de divulgação oficial e/ou veículos de divulgação local.
§ 3o – Em cada Ato Convocatório de Conferência Regional deve constar o horário e o local para credenciamento e realização das conferências, bem como a composição da comissão organizadora responsável pela conferência.
§ 4o A convocação da Conferência Regional deverá ser feita por pelo menos três municípios da micro região e submetido à Comissão Organizadora Estadual antes da publicação até 72horas antes da realização.
§ 5o O número total de delegados eleitos nas conferências regionais não poderá ser superior a 203 (duzentos e três) delegados para 1ª Conferência Estadual de Comunicação de Pernambuco.
§ 6º Cada região elegerá número de delegados proporcional ao peso da população da micro região em relação à população do Estado, considerando o limite máximo de 203 delegados.

Art. 27. As comissões organizadoras no âmbito das regionais deverão seguir os procedimentos, metodologia e os eixos temáticos estabelecidos pela Comissão Organizadora.
CAPÍTULO V
DA CONFERÊNCIA ESTADUAL
Seção I
Disposições Gerais
Art. 28. O credenciamento dos participantes será efetuado no dia 06, das 08 às 17 horas, no local de realização da Conferência Estadual.
Art. 29. A programação da Conferência Estadual de Comunicação será dividida nos seguintes momentos:
I - abertura oficial
II - painéis
III - grupos de trabalho
IV - plenária final
V- eleição de delegados
Seção II
Da Participação na Conferência
Art. 30. Os participantes da Conferência Estadual de Comunicação estarão distribuídos em cinco categorias:
I - A Comissão Organizadora Estadual;
II - Os delegados eleitos nas micro-regiões do Estado de Pernambuco, por segmentos, de acordo com percentual estabelecido pelo Regimento da 1ª Conferência Nacional de Comunicação com direito a voz e voto nos órgãos da Conferência;
III - Os delegados por indicação, com direito a voz e voto;
IV – Os delegados do Poder Público Estadual, com direito a voz e voto; e
V - Os observadores e convidados
Art. 31. Serão delegados na etapa estadual da Conferência Estadual de Comunicação os participantes citados nos incisos II, III e IV do art. 36, de acordo com a distribuição por segmento, na seguinte proporção:
I – vinte por cento de escolhidos dentre os representantes do Poder Público;
II – quarenta por cento de escolhidos dentre os representantes da sociedade civil;
III – quarenta por cento de escolhidos dentre os representantes da sociedade civil empresarial.
§ 1º Será observada a relação de dois participantes inscritos para cada delegado eleito por segmento.
§ 2º Em não atendido o critério do § 3º, caberá a comissão organizadora a deliberação sobre o registro da delegação na etapa estadual.
§ 3o. As inscrições dos participantes (delegados ou observadores) deverão ser encaminhadas pela comissão organizadora regional das conferências regionais até cinco dias antes do início da etapa estadual e serão confirmadas pela Comissão Organizadora Estadual mediante o atendimento aos critérios de participação.
§ 4o. A cada setor participante da Conferência Estadual será reservado um número mínimo de vagas, suficiente para a eleição dos delegados daquele setor à etapa nacional da Conferência de Comunicação.
§ 5o. Aos delegados será dado o direito a voz e voto.
Art. 32. Serão observadores na etapa estadual os interessados em acompanhar o desenvolvimento da CONFECOM-PE dentro do limite de inscrições definido pela Comissão Organizadora Estadual.
Parágrafo único. Os observadores não terão direito a voto na etapa estadual.
Seção III
Da eleição dos delegados para a I Conferência Nacional de Comunicação
Art. 33. São considerados segmentos para fins de composição dos delegados eleitos:
I – Poder Público: representantes de órgãos da Administração Pública Direta e Indireta nas esferas Federal, Estadual e Municipal;
II – Sociedade Civil Empresarial: representantes de empresas ou representantes de entidades da sociedade empresarial organizada que congreguem interesses do setor de comunicação, que não estejam vinculados, sob qualquer forma, aos demais segmentos; e
III – Sociedade Civil: quaisquer cidadãos ou representantes de entidades da sociedade civil organizada, que não estejam vinculados, sob qualquer forma, aos demais segmentos.
Art. 34. A I Conferência Estadual de Comunicação elegerá 64 delegados (sessenta e quatro) delegados à etapa nacional, sendo:
I – vinte por cento de escolhidos dentre os representantes do Poder Público;
II - quarenta por cento de escolhidos dentre os representantes da sociedade civil empresarial;
III – quarenta por cento de escolhidos dentre os representantes da sociedade civil.
Art. 35. Todos participantes da I CONFECOM-PE com direito a voto podem candidatar-se a delegado à etapa nacional.
Art. 36. As inscrições dos candidatos a delegado à etapa nacional devem ser entregues na Secretaria do evento, em formulário próprio, até às 16 do dia 08 de novembro de 2009, impreterivelmente.
Art. 37. A Comissão Organizadora Estadual observará a relação de dois participantes inscritos para cada delegado eleito por segmento.
Art. 38. Serão eleitos como delegados suplentes o mesmo número de delegados titulares, observadas a paridade e a representação dos segmentos.
§ 1o Em caso de substituição, será observada a correspondente categoria do titular.
§ 2o O suplente somente participará da etapa nacional na ausência do respectivo titular.
Art. 39. A Comissão Organizadora Estadual apresentará na Plenária de Abertura da Conferência Estadual uma Comissão Eleitoral, responsável pela condução do processo eleitoral dos delegados à Conferência Nacional.
Seção IV
Da Metodologia do Trabalho em Grupos
Art. 40. Os participantes deverão, no ato do credenciamento, indicar o grupo no qual pretendem se inscrever.
Parágrafo único. O participante poderá acompanhar as discussões dos demais grupos por eixo temático, mas somente terá direito a voz e voto no grupo com o eixo temático por ele escolhido no momento do credenciamento.
Art. 41. Cada grupo contará com a seguinte estrutura para funcionamento:
I - Relator: responsável pela redação dos trabalhos do grupo e apresentação na Plenária Final, indicado pela Comissão Organizadora Estadual;
II - Co-relator: responsável por auxiliar e acompanhar os trabalhos do Relator, eleito pelo Grupo;
III - Facilitador: responsável pela orientação e metodologia dos trabalhos, indicado pela Comissão Organizadora Estadual;
Art. 42. O início dos trabalhos em grupo se dará com a apresentação do relator e do facilitador e com a escolha do co-relator, por quorum de maioria simples dos participantes presentes.
Art. 43. O quorum de aprovação de qualquer deliberação nos grupos é de maioria simples dos participantes presentes no momento da votação.
Art. 44. As propostas que no grupo forem aprovadas por no mínimo 50% (cinqüenta por cento) dos participantes presentes serão remetidas para deliberação da Plenária Final.
Art. 45. Em havendo mais de uma sala com o mesmo tema, os relatores de cada sala serão responsáveis pela sistematização dos trabalhos para apresentação para a Plenária Final.
Seção V
Da Plenária Final
Art. 46. A Plenária Final será instalada com qualquer número de participantes presentes, no horário previsto pela programação.
Art. 47. A Plenária Final deverá votar na seguinte sequência:
I) Propostas que devam ser encaminhadas para a Conferência Nacional.
§ 1.º A votação das propostas limita-se a aprovar ou rejeitar o texto, não sendo aberta a possibilidade de alterações ou inclusões no mesmo.
§ 2.º As votações da Plenária Final nas questões não consideradas sensíveis se darão por maioria simples dos participantes presentes, franqueando- se a palavra para uma pessoa para defesa e uma pessoa para refutar qualquer proposta, contando-se com 01 (um) minuto para cada um expor suas razões para a Plenária, seguindo-se imediatamente para a votação.
§3.º Será adotada a modalidade de deliberação qualificada, sempre que metade de um dos segmentos poder público, sociedade civil ou sociedade civil empresarial indicar alguma questão sensível em votação.
§ 4.º As deliberações das questões sensíveis serão por voto dos titulares, considerada uma proporção de sessenta por cento dos presentes para aprovação, devendo, pelo menos um voto de cada segmento, compor o total apurado.
II) Eleição dos Delegados à Conferência Nacional.
CAPÍTULO VI
Das disposições finais
Art. 48. As despesas relativas à hospedagem e alimentação dos participantes e convidados da etapa estadual correrão por conta de recursos orçamentários da Secretaria de Especial de Imprensa do Estado de Pernambuco.
Art. 49. Os participantes portadores de deficiência deverão registrar no momento de sua inscrição para a etapa nacional o tipo de deficiência ou necessidade a fim de garantir as condições necessárias à sua participação.
Art. 50. Os casos omissos ou conflitantes com este Regimento serão resolvidos pela Comissão Organizadora da CONFECOM-PE.

CONVOCAÇÃO DA AUDIÊNCIA PÚBLICA
Portaria GABINETE DO SECRETARIO
PORTARIA No 034 , DE 30 DE SETEMBRO DE 2009
Convoca audiências públicas dos segmentos da sociedade civil, trabalhadores do setor de comunicação, sociedade civil empresarial de comunicação para indicação de representantes de cada setor para composição da Comissão Organizadora da 1ª Conferência Estadual de Comunicação de Pernambuco - CONFECOM-PE.
O SECRETÁRIO ESPECIAL DE IMPRENSA, no uso das atribuições legais, e tendo em vista a edição do Decreto de 33.913, de 15 de setembro de 2009, que convoca a 1ª Conferência Estadual de Comunicação,
Resolve:
Art. 1º - Convocar audiências públicas para o próximo dia 08 de outubro, a partir das 10 h da manhã para indicação dos representantes para composição da Comissão de Organização da 1ª Conferência Estadual de Comunicação de Pernambuco – Confecom – PE nos seguintes locais:
Segmento da sociedade civil: Auditório da Faculdade de Ciências da Administração de Pernambuco-FCAP, situada à Av. Sport Club do Recife, 252 – Madalena;
de trabalhadores do setor de comunicação: sede do Sindicato dos Trabalhadores em Emissoras de Radio e Televisão de Pernambuco (Radialistas) , situado à Rua Capitão Lima, no. 40, Santo Amaro.
sociedade civil empresarial da comunicação: Auditório do Porto Digital - Rua do Apolo, 181, Bairro do Recife -
Art. 2º - O credenciamento dos participantes de cada audiência publica será feito na mesma data e local da audiência, das 8h às 10h, sendo condição necessária a apresentação de documento de identidade e comprovação de representação de entidade ou instituição no ato de inscrição para o credenciamento.
Parágrafo primeiro - Nas audiências serão indicados seis representantes do segmento da sociedade civil, seis representantes do segmento da sociedade civil empresarial e quatro representantes do segmento de trabalhadores do setor de comunicação.
Parágrafo segundo – Todas as entidades e instituições credenciadas previamente terão direito a apresentar candidatura à vaga de membro da comissão organizadora. Serão escolhidos os representantes que obtiverem o maior número de votos na plenária, até à quantidade máxima de membros por segmento, estabelecido por esta portaria.
Parágrafo terceiro – cada entidade cujo representante for considerado eleito indicará o seu respectivo suplente.
Parágrafo quarto – Os representantes do poder público na comissão organizadora serão indicados pela secretaria especial de imprensa.
Art. 3º - A Comissão será composta por 20 (vinte) membros, mais o presidente, sendo 30% (seis membros) representando a sociedade civil organizada, 30% (seis membros) representando o mercado de comunicação, 20% (quatro membros) representando o poder público e 20% (quatro membros) representando trabalhadores do setor de comunicação.
Parágrafo único. O presidente da Conferencia Estadual de Comunicação, 21º.. membro da Comissão Organizadora, dará o voto de minerva sempre que houver empate nas votações
Ar. 4º. – Cada representante credenciado terá direito ao número de votos que corresponde à metade do número de vagas em disputa.
Art. 5º - A Secretaria Especial de Imprensa indicará comissão para coordenação dos respectivos eventos.
Art. 6º - As indicações de que trata o art. 1o serão encaminhadas pela comissão coordenadora de cada uma das audiências publicas à Secretaria Especial de Imprensa do Estado de Pernambuco, que designará os membros da Comissão por meio de Atos administrativos específicos.
Evaldo Costa
Secretário de Especial de Comunicação

Imprensa brasileira: De facto ou interina?


Colunista:Gilson Caroni Filho0
Empenhada em afirmar que o governo brasileiro teria agido de maneira irresponsável ao conceder abrigo ao presidente deposto, a mídia corporativa repete um velho procedimento. Tenta armar uma subversão monstruosa: a autoria e a responsabilidade do golpe são transferidas aos que a ele se opõem.Data: 26/09/2009
Desde 28 de junho, quando o presidente Manuel Zelaya foi deposto por um golpe militar liderado por Roberto Micheletti, a grande imprensa brasileira, através de seus articulistas mais conhecidos e dedicados editorialistas, voltou a apresentar, como é comum a aparelhos privados de hegemonia, seu vasto arsenal de produção e redefinição de significados. Desta vez, a novidade foi o deslocamento semântico do real sentido do que vem a ser golpe de Estado. Em Honduras, segundo a narrativa jornalística, não há golpistas, mas "governo interino" ou "de facto", pouco importando que a ação militar tenha sido condenada pela União Européia e governos latino-americanos representados pela Organização dos Estados Americanos (OEA)Como já tive oportunidade de destacar em outra oportunidade "há algo profundo no jogo das palavras". Ainda mais quando, quem as maneja, tem, por dever de ofício, que relatar o que cobre com precisão e clareza. Fica evidente que razão cínica e ética ambíguas são irmãs siamesas. E no jornalismo brasileiro, mudam as gerações, mas as tragédias continuam e o imaginário dos aquários insiste em se engalfinhar contra as evidências factuais.Agora, empenhada em afirmar que o governo brasileiro teria agido de maneira irresponsável ao conceder abrigo ao presidente deposto, a mídia corporativa repete um velho procedimento. Tenta armar, na produção noticiosa, uma subversão monstruosa: a autoria e a responsabilidade do golpe são transferidas aos que a ele se opõem, de modo que os golpistas, posando de impolutos democratas, ainda encontrem razões e argumentos para desmoralizar, reprimir e, se possível, eliminar seus oponentes. Para a empreitada foram convocados até diplomatas aposentados, saudosos de uma subalternidade quase colonial.Uma característica saliente do discurso editorial, e de forma alguma sem importância, é o tom mordaz de quem que se propõe a dizer "verdades" a leitores e/ou telespectadores não apenas iludidos, mas idealizados como obtusos. O trecho abaixo, extraído da revista Veja ( edição 2132, de 30/09/2009) é exemplar. Trata-se da reportagem “O pesadelo é nosso", assinada pelos jornalistas Otávio Cabral e Duda Teixeira."Com as eleições marcadas para o próximo dia 29 de novembro, o governo interino que derrubou Zelaya se preparava para reconduzir o país à normalidade democrática. O candidato ligado a Manuel Zelaya aparecia até bem colocado nas pesquisas de intenção de voto. Seria uma saída rápida e democrática para um golpe, coisa inédita na América Latina. Seria. Agora o desfecho da crise é imprevisível. O mais lógico seria deixar o retornado sob os cuidados dos amigos brasileiros até depois das eleições, que, se legítimas, convenceriam a comunidade internacional das intenções democráticas dos golpistas"Não procurem lógica no texto. Muito menos o uso político do mito da objetividade jornalística. O panfletarismo é prepotente e assumidamente faccioso para se preocupar com detalhes. Falar em “intenções democráticas dos golpistas" não expressa dificuldade de ordem racional, mas uma formidável comédia de erros e imposturas orquestradas por setores decisivos de uma direita inconformada com uma política externa exitosa.Não se trata apenas da insistência da grande mídia brasileira em “manter um viés anti-Lula, fazendo uma cobertura parcial e tendenciosa sobre os acontecimentos que envolvem o fato", como afirmou o deputado José Genoíno. A operação em curso vai bem além desse propósito. O que ela busca ocultar são os resultados da reunião do G-20, em Pittsburgh, com a abertura para a reorganização das instituições financeiras internacionais e maiores direitos para os países emergentes. O êxito diplomático deve ser substituído por uma "trapalhada ideológica que não faz jus à tradição pragmática do Itamaraty”.É exatamente isso o que confessa o articulista Clóvis Rossi, em sua coluna de sexta-feira, 25 de setembro, na Folha de S. Paulo. "Escrevendo textos no lobby do Hotel Sheraton, em que Luiz Inácio Lula da Silva está hospedado em Pittsburgh, sou agradavelmente interrompido por Gilberto Scofield, o competente correspondente de "O Globo" em Washington: Cara, Honduras conseguiu eclipsar completamente o G20 nos jornais brasileiros. Só recebo cobranças sobre Honduras".Essa desenvoltura de militantes eufóricos só reforça o que se sabe da grande imprensa. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, mas os modelos-teimosos- permanecem como farsa de um jornalismo que não se sabe ao certo se é “de facto" ou interino. Os acontecimentos de Tegucigalpa são contagiantes